sábado, 19 de maio de 2012

Minha Vida de Verdade ... Com toda Intensidade!


Faz tempo que não posto nada por aqui ... Hoje senti vontade de falar! Mas já que não tem ninguém pra ouvir, eu escrevo!

Acordei pensativa.... Refletindo sobre a vida! Sobre a “Minha Vida” ...

Dentre os 24 anos vividos até o presente momento, posso dizer que já passei por quase tudo! A começar pela minha infância, diga-se de passagem, foi a melhor que uma criança poderia ter. Morar com os pais, conhecer toda vizinhança, poder brincar de queimada no fim da tarde, andar de patins e bicicleta, algo que sinto extrema saudade! Momentos vividos que não voltam mais, mas que vez ou outra, são relembrados em minha memória! Até os 9 anos de idade, posso dizer “Era FELIZ e não sabia” ... 


Mas assim como tudo muda, com a vida não poderia ser diferente. A minha mudou, a começar pela separação dos meu pais! Tão criança, e já tendo que passar pelo primeiro ‘problema’. Como toda separação é dolorosa, a dos meus pais não poderia ter sido diferente. Mas não lembro de ter chorado em momento algum. Sempre fui forte, ou pelo menos (aparentava) pra apoiar minha mãe em toda e qualquer situação. Já a minha irmã, mesmo sendo mais "velha", se derretia facilmente. A diferença de idade entre eu e a Carol, é de apenas um ano. E mesmo sendo mais nova, percebi naquele dia que tudo seria diferente, que nada seria fácil! 

Em 1998, aos 10 anos de idade, passei a ter uma responsabilidade que criança nenhuma nessa idade tinha. Não por que me foi imposto, mas a vida pedia que fosse assim. Passamos a ser uma família composta por três membros: Eu, minha mãe e minha irmã. Meu pai, não morava mais conosco , mas fazia parte da minha vida e de minha irmã, só que aos fins de semana e os 15 dias do mês de férias, de acordo com a determinação judicial.


Não é fácil, mas a gente se acostuma a não sofrer, sempre em doses pequenas, afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá! Um tempo depois, a vida seguiu, e meu pai refez sua vida, casou com a Rilda, minha ‘madrasta’, que eu costumo chamar de ‘boadrasta’ porque de má ela não tem nada! E um tempo depois nasceu a Ayla, minha irmã.

Alguns anos se passaram e recebi a notícia de que minha mãe havia sido promovida, e que trabalharia em uma cidade do Pará, chamada Monte Dourado. E como estávamos juntas sempre, minha mãe disse que só iria embora, se quiséssemos ir também. Não pensamos duas vezes, eu e a Carol topamos na hora, afinal era uma chance que minha mãe tinha de recomeçar a sua vida. A família ficou triste com a notícia, de que iriamos embora de Macapá, mas nos apoiaram.

No começo de 2004 partimos em busca da “Terra do Nunca”, como carinhosamente chamo Monte Dourado. O que eu não esperava, é que apenas aos 16 anos de idade mudaria de vida assim da noite pro dia. Passei a morar em um lugar totalmente novo, com novos amigos, e a responsabilidade só vinha aumentando. Ainda em 2004 meu pai teve mais um filho, o meu irmãozinho Júnior. Ainda neste ano conclui o ensino médio. E pude viver meus primeiros relacionamentos por lá. O primeiro namoradinho, as primeiras festas ... Enfim, começava a aprender o que era a Vida.


Minha mãe conheceu pessoas novas, arranjou um namorado, e um ano depois engravidou. E minha irmã também não podia ter feito diferente, arranjou um namorado, e um ano depois também estava grávida! Só que pra minha surpresa as duas engravidaram quase juntas. Como assim !? Eu teria um irmão, e uma sobrinha ao mesmo tempo !? Era informação demais ... Era felicidade demais !!!

Em novembro de 2006 veio o Marcos Antônio, meu irmão, o amor da minha vida, e dois meses depois, em janeiro nasceu a princesa mais linda que uma tia poderia ter, a Anna Luiza. Após o nascimento de ambos nossa vida MUDOU de fato. Minha mãe passou a ser mãe solteira novamente, e a Carol passou a morar junto com o Robson (Bió) apelido carinhoso do meu cunhado. 


No começo de 2007 passei no vestibular, e comecei a cursar faculdade de Administração. E pude acompanhar de perto o crescimento das minhas crianças. Afinal, dizem que é uma benção ter uma criança em casa. Agora imaginem ter duas ?! =) 


Dois anos depois, com pensamentos diferentes decidi voltar a morar em Macapá. Minha família não gostou muito da idéia, mais sabiam que quando tomo uma decisão eu vou com ela até o fim. Em janeiro de 2009 pedi transferência da faculdade, e voltei a morar em Macapá com meu pai. Conheci outras pessoas, fiz novas amizades, comecei a estagiar, o que antes era só responsabilidade, agora passava a ter outro nome "maturidade" ... E a Vida mudava novamente! 

Acredito, que entre todos, esse foi o ano mais difícil, mas tentei aproveitar ao máximo. Um ano depois, em fevereiro de 2010, viajei pra Belém pra passar o o carnaval com meu pai, minha madrasta e meus irmãos. E justo nessa viagem, resolvi adoecer. Manchas apareciam pelo meu corpo, dores incontroláveis. Mas como sempre, achava que era algo passageiro. Voltamos de viagem, e comecei a procurar médicos ‘alergistas’, afinal manchas no corpo, só poderiam ser alergia. Consultas, exames, e mais exames foram feitos, e pra minha surpresa, não era alergia.  E médico nenhum sabia diagnosticar o que eu tinha. Os remédios que haviam me passado, não controlavam as dores, e isso já estava me incomodando. 


Um dia, ao acordar, coloquei os pés no chão pra levantar, e cai! Foi ai que percebi que algo de muito errado estava acontecendo. Não conseguia andar, com dor. Fui internada, e minha vida se complicava apartir daquele momento. Minha família preocupada com todos os "possíveis diagnósticos", resolveram me mandar pra São Paulo.

Em abril de 2010, viajei, com o intuito de descobrir o que eu tinha! Passei um mês em sampa, indo a médicos, fazendo exames, e um tempo depois veio a resposta! Eu estava com DSA – Doença de Still do Adulto, pra quem não sabe, é uma doença considerada rara, de origem desconhecida, uma doença inflamatória sistémica que se apresenta com uma variedade significativa de sintomas, dos quais os mais frequentes são febre elevada, exantema típico e artrite. Resumindo : Um tipo de reumatismo. Que não tem cura, só tratamento.

Fiquei feliz em poder descobrir o que eu tinha de fato, e arrasada por saber que nunca poderia ser curada. CHORAR .... Era a única coisa que eu conseguia naquele momento. Sem esperança, sem expectativa, me peguei com Deus!

Sentei na cama, abri a bíblia e pela primeira vez pedi com Fé que Deus me orientasse, pois eu não sabia mais o que fazer. Fechei os olhos e abri uma passagem de Eclesiastico que dizia:


“ Meu filho, se você quiser servir a Deus, esteja pronto para ser posto à prova. Seja sincero, e não desista com facilidade, e não desanime nos tempos difíceis. Fique ligado com o senhor e não se afaste dele, e assim no fim da vida você será respeitado por todos. CONFORME-SE COM TUDO O QUE ACONTECER COM VOCÊ E TENHA PACIÊNCIA NAS HORAS DE SOFRIMENTO. Pois assim como o ouro é provado pelo fogo assim também as pessoas que Deus aceita são postas à prova a fornalha do sofrimento. Confie no Senhor, e ele o ajudará. Tenham fé nele e receberão sem falta a sua recompensa. ”

As palavras mais sábias que eu poderia ler naquele dia. Desde então minha vida MUDOU ... Deus mostrou-me que eu poderia escolher como queria viver a minha vida. E eu escolhi ser feliz, independente do que eu tinha que encarar pela frente.

No final de abril, viajei de São Paulo de volta pra Macapá, só que agora com um objetivo. Eu iria encarar essa enfermidade, mas queria passar por isso sozinha, sem dar mais sofrimento aos meus familiares. 


Tomei a decisão de morar sozinha. O que foi um choque pra todos. Mas como eu havia mencionado antes, depois que decido algo NINGUÉM ME SEGURA! Batalhei por isso, e pela minha 'independência', e 3 meses depois, em julho de 2010 eu consegui. Aluguei uma casa, e me mudei! Minha família, só podia fazer algo: Me apoiar! E foi o que fizeram. Me ajudaram em cada detalhe, com a mudança, a organizar o meu novo cantinho. 


Desde então, passei a morar sozinha, mas não tão sozinha, um mês depois ganhei da minha tia, o meu parceiro e companheiro pra todas as horas, o “Bart” meu au au. 


Desde que descobri o meu problema de saúde, e saber que não tinha cura, só me restava então aprender a conviver com ele. É o que tenho feito, dia após dia. E como dizia Carlos Drummond de Andrade “ As dores são inevitáveis, mas o sofrimento é opcional. ”

É difícil decifrar os sinais que a vida está me dando... Mas hoje posso dizer de verdade, a vida pode não ser justa, mas ainda assim é boa. Tem muitas coisas que não entendo, mas sinto que o importante é continuar vivendo. Há muito o que agradecer. Basta perceber!

Acredito , que se nós somos batidos, é só para que possamos crescer. A mesma chuva que faz as folhas das árvores caírem é aquela que a rega. O mesmo martelo que atormenta o prego é o que o deixa mais forte, firme e seguro. O mesmo chão que você pisa é o que te sustenta. E assim eu afirmo  A VIDA VALE A PENA! 




                                                                                                                              Eu, por mim mesma!

Nenhum comentário:

Postar um comentário